maio 08, 2004

Os misterios da atração sexual ou... sem tesão não há solução

A atração sexual é o que faz com que alguém se torne objeto de desejo para outra pessoa. Essa química inexplicável aproxima homens e mulheres que partem para a sedução.

Se o sexo vai mesmo acontecer ou se vai ser bom, é outra história. O fato é que a mola propulsora de um relacionamento afetivo é mesmo a sexualidade. Se não houver aquele fogo, aquela química de pele, dificilmente ambos se apaixonarão.

Se as afinidades forem grandes e a convivência for boa, mas o tesão for pouco, o amor correrá o sério risco de se transformar numa grande amizade, daquelas que a gente depois sofre porque não consegue abrir mão – mas também sofre porque não nos satisfaz.

A satisfação sexual e o tesão que um parceiro nutre pelo outro são fundamentais para a felicidade fora da cama e são a base da ligação de um casal. É este tesão que reacende a vontade de permanecer no relacionamento e que, inconscientemente, permite que um parceiro admire o outro mesmo nos momentos de crise e faz com que as outras pessoas não representem um risco à relação.

Muita gente diz que o tesão é o termômetro que mede a qualidade do relacionamento. Na verdade não é exatamente assim, porque muitos fatores podem comprometer a libido de uma pessoa. Mas esse comprometimento ocorre em fases. Se o interesse sexual diminui e não se recupera, aí, sim, é sinal de que alguma coisa pode estar errada entre os parceiros.

A sexóloga Maria Helena Matarazzo, autora de Encontros, Desencontros e Reencontros (Ed. Gente), questiona: “Será que só o que conta é a quantidade? Será que menos sexo significa menos intimidade ou certos casais descobriram outras maneiras de manifestar sua intimidade sem precisar de um determinado número de orgasmos por semana?”

Se o seu tesão está mais fraco, não se desespere nem vá logo acreditando que talvez seja melhor terminar tudo. Ouça seu coração, avalie o relacionamento, reveja sua vida e seus interesses, estude suas expectativas na relação e fora dela.

Talvez o problema tenha uma origem diferente: o trabalho, a família, a conta no banco... E não entre numa de culpar o(a) parceiro(a), atitude que muita gente toma por ser o caminhos mais fácil: afinal, se o tesão (ou a falta dele) pode ser um reflexo da relação, a causa também pode ter a sua origem em questões externas.


As ondas da atração

Uma das características de qualquer relacionamento é o dinamismo: ele se modifica a cada dia, sofre interferências do humor, dos desejos, das atitudes e das crenças das pessoas. No caso do relacionamento amoroso, que envolve intimidade e cumplicidade, estas interferências são ainda maiores. É claro que o sexo, que é uma intensa expressão daquilo que somos e sentimos, torna-se um reflexo do nosso interior, antes mesmo de ser um reflexo da relação.

Maria Helena Matarazzo pergunta: “Será que o vínculo amoroso depende do número de relações sexuais que o casal está tendo, ou da qualidade dessas relações?” O diálogo é fundamental para o entendimento entre os parceiros e a idealização do sexo, alimentada pelo cinema e pela literatura, é uma fantasia.

Na verdade, são muitas as situações que podem inibir ou aumentar o desejo sexual pelo parceiro. As mais comuns são:


Questões profissionais – a insatisfação no trabalho é um balde de água fria porque mexe com a auto-estima das pessoas. Já o desemprego congela a libido porque a atenção do indivíduo se volta para a questão da sobrevivência. Em ambos os casos, quando se vive esta situação, o sexo pode ser visto como uma obrigação ou até, uma chateação. Já o desafio profissional, um novo emprego ou uma promoção, podem ser estressantes se a pessoa for insegura (e aí, sim, comprometerá o tesão, já que compromete a auto-estima) ou provocar o contrário, estimulando-a para o sexo por despertar o sentimento de valorização e aumentar a auto-estima.


Problemas familiares – pode ser o divórcio dos pais, a doença de alguém da família, o desemprego de uma pessoa próxima... quando pessoas que amamos passam por situações difíceis, a gente também sofre. Isso é normal e humano. É preciso dar tempo ao tempo, vivenciar as emoções. Só não se deve deixar levar por sentimentos derrotistas e negativos que não vão solucionar os problemas e só irão piorar a sua vida.


Questões econômicas – falta de dinheiro é um problema seríssimo: preocupações com contas a pagar simplesmente detonam o erotismo natural do ser humano. Também é comuníssimo casais que se desentendem sexualmente quando a mulher sustenta a casa ou, simplesmente, tem um salário maior. No subconsciente das pessoas, ainda é esperado que o macho desempenhe aquele velho papel de provedor, como se isso conferisse a ele um valor a mais. O fato é que problemas financeiros costumam comprometer a libido e atrapalham a vida sexual.


Filhos – seja a gravidez, o nascimento ou problemas com a educação, o fato é que muita gente reclama que, depois dos filhos, a relação nunca mais foi a mesma. E nem poderia! Antes eram só dois, agora há mais passageiros no barco, e embora a viagem possa se tornar ainda mais maravilhosa, é precisão atenção. Não se deixar consumir por este novo papel (de pai ou de mãe), é fundamental. Também é importante estabelecer momentos só para o casal e não cometer a infantilidade de sentir ciúmes das crianças.


Crise de auto-estima – quem não se ama, não se curte, não se acha interessante, costuma enfrentar problemas com o sexo. A baixa auto-estima pode levar à incapacidade de seduzir e de sentir prazer, além de trazer dificuldades para transmitir erotismo. Como ninguém é Super Homem ou Mulher Maravilha o tempo inteiro, crises de auto-estima acontecem com todo mundo. O melhor caminho, em casos mais graves, é buscar ajuda de um profissional ou de um amigo confiável e equilibrado emocionalmente.


Crise de identidade – vocês estão falando a mesma língua, têm objetivos comuns? Acontece do casal, de repente, começar a se desentender e a se estranhar, ou, simplesmente, passar a buscar caminhos diferentes. Nesse caso, o tesão fica comprometido mesmo. Para que o relacionamento sobreviva à mudanças muito grandes, é preciso muita conversa e respeito pelas decisões do(a) parceiro(a).

Posted by docinhoo at maio 8, 2004 01:22 AM
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